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3 de jun de 2009

Diário de bordo - Parte 4

O post de hoje conta com a participação ilustre da Aline, minha amiga queridona que topou na hora quando inventei de viajar. É a companhia ideal pra viagens: fotografa tudo o que vê, encara andar o dia inteiro e amanhecer numa festa depois, e fala tudo o que eu tenho que ouvir, mesmo que seja f*da. (Fran, não fica com ciúme, tu sabe que eu te I love you, né?).
Por que eu pedi pra ela escrever? Bem... é que não fui no passeio a Santa Tereza, e só quem viu é que poderia contar.
A Aline é jornalista, capricorniana e corneteira... isso me é tão familiar...
O texto dela ficou tão bom que tô com medo de perder a vaga! (reparem nas expressões carioquíssimas ali no meio, maneiro, né?)

Tá, já falei demais. Divirta-se!

*

A sexta-feira não poderia terminar mais carioca. Depois de almoçar em Ipanema, bairro de bacana, bacana mesmo, conhecemos a famosa igreja da Candelária. Aquela dos meninos que foram assassinados. Não tanto por isso que a igreja deve ser famosa, mas principalmente pela arquitetura da moça. Ela foi construída, segundo o cara da entrada (que disse que a gente tinha que bater as fotos bem rápido porque já tava na hora de fechar), em 1700 e poucos. Mas gente, aquilo não é uma igreja normal. E um taxista ainda teve a ousadia de dizer pra gente não esquecer que a catedral do Rio de Janeiro não é a Candelária, que a catedral sim é um dos pontos mais visitados. Pra que catedral amigo, quando se pode conhecer a CANDELÁRIA? Aquilo que é igreja maneira. Anjos enormes, uma escuridão sem fim, uma mistura de bizarro com sei lá o quê. Deu medo, mas foi legal. Ah, e os bancos. Como podemos esquecer dos bancos. Deve doer a bunda assistir a uma missa sentado ali. Medieval. Muito legal.




Um pouco de cultura

Quem sabe uma passadinha no Centro Cultural Banco do Brasil, um bem famoso, bem bonito? Ali sentimos que nossa viagem estava ficando séria mesmo. Deu orgulho da gente visitando aquela exposição, subindo aqueles degraus chiques. Pena que a gente não entendeu nada do que se passava lá dentro, mas pelo menos “a gente se sentimos cultas”. Isso foi bem rápido, não durou uns 10 minutos, acho. E também fomos porque era de graça, né? Ah, tá explicado. E claro que a pobre aqui tinha que bater foto dentro do negócio. Não pode bater foto em locais assim. Alguém me avisa na próxima?

Taxista radical

Então, chega a hora de encararmos o taxista mais rabugento do Rio de Janeiro. Um que trabalha durante o dia, chega em casa às 7 da noite e jura que não sai mais com medo da bandidagem. As meninas acharam ele um pouco radical. Mas até que ele falou umas verdades que eu concordei. E de repente, se não fosse pelo aviso dele, eu teria perdido minha máquina na janela. Mas eu tava batendo foto do que mesmo? Ah, do trânsito eu acho.

Pegando o bonde andando

Pegamos este táxi para chegar à estação pra pegar o bondinho que vai pra Santa Tereza. É aquele bondinho amarelo que passa em cima dos Arcos da Lapa, ele aparece em algumas novelas da Globo. Segundo o taxista de mal com a vida, em Santa Tereza só tem prostituta, bandido e drogado. Mas a gente gosta de aventura seu moço!!!
Lá vamos nós pra Santa Tereza. Primeiro que o bonde custa R$0,60. É que ele serve como meio de transporte para a comunidade e ponto turístico. É genial porque o maquinista tem que ser muito ninja. Aquilo é um perigo. Ele sobe lotado, passa por cima dos Arcos, naquela altura toda, com a galera pendurada. Não tem porta. E quem vai no estribo, local onde se coloca o pé, do ladinho (segundo uma louca lá que morou em Santa Tereza quando era criança e tava visitando o lugar depois de 16 anos, é estribo que se diz) se tiver uma bunda um pouco mais avantajada, engalha, porque o bonde passa rente a cerca fajuta que tem em cima dos Arcos.
Não sei se dá pra entender, mas é muito perigoso. Quando chega em Santa Tereza mesmo, começam as paradas, mas quem disse que a comunidade para na parada? Sempre ouvi aquela expressão “pegou o bonde andando”, mas nunca imaginei que fosse presenciar o ditado. Lá, o pessoal pega o bonde andando e desce com o bonde andando. Se o maquinista tá ligado se o bonde passou por cima de alguém? Imagina. É um grita daqui, outro dali: “Espera, tem gente descendo”, “Calma aí que a mulher ainda tá subindo”. “Tem criança, aguenta aí”. Se o maquinista tá enxergando alguém? Até parece. Ai que nervoso! O bonde, daqueles elétricos, passa no meio da rua e divide espaço com ônibus e carros. Quem tá no estribo nessa hora também tem que cuidar pra não ficar engalhado. Tudo isso na maior harmonia e gritaria.
Mas tirando essa doideira o lugar é sensacional. Vários casarões antigos e uma vista linda, mas linda, de boa parte do Rio. Chegando lá em cima o bonde manobra e desce trazendo os turistas boquiabertos. Ah, e o taxista radical exagerou quando disse que o bairro é perigoso. Claro, é bom ficar ligado e também a gente não desceu do bonde. Mas não deve ser tudo aquilo. Foi show. E Viva Santa Tereza!!

6 comentários:

Deise Anne disse...

Ahhhh, mas eu tava esperando era os detalhes sórdidos sobre prostituta, bandido e drogado, que o taxista falou.
Deve ser por que ele é rabugendo e só enxerga coisa ruim, né?
Adoro quem bate foto de tudo, depois vocÊ vai ver e não faz sentido nenhum, aí diz : que merda é essa? pra que eu tirei foto disso. kkkk
Adorei as histórias do post!

Beijo, Kellen!

Carla disse...

Adorei o texto. Tão bom que senti medo daqui. Muito boa a descrição.

--=Zod=-- disse...

Ainda quero conhecer a Candelária também. Deve ser uma coisa muito gótica.

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto muito detalhes que nao percebemos e as vezes dexamos passar....bjusss Kellen

Cristine Rodrigues disse...

Lendo tudo isso dá uma vontade de ir viajar também...

Beijos!

Deise Duarte disse...

Pode não ter sido escrito pela Kellen, mas tem o humor dela impregnado no texto. ADOREI.

E postem todas as fotos, inclusive a do passeio cultural. Não é culpa tua não saber que não se tira foto... Aposto que nunca foi no museu de Crciúma hehe