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5 de ago de 2010

Coisas que minha mãe não deve ler

Noite dessas combinei de encontrar uma amiga num barzinho e depois ir pra uma festa. (Na verdade, já era bem umas onze da noite quando me liguei que a coisa mais animada que eu fazia era dar F5 no twitter. Bora olhar o movimento, como se diz no interior. )

Chapinha daqui, blush dali... desci pra pegar um táxi.

Daí que moro em plena Paulista, que é um poquinho beeem movimentada. Passa táxi toda hora e ainda tem uma parada na esquina. Ah, e um ponto de ônibus bem na frente de casa (anotou tudo, senhor bandido?). Já na rua, alguns segundos de indecisão: ir até a parada ou esperar passar um táxi aqui mesmo?

Como em toda cidade grande que se preze, tem sempre alguém pra te alertar sobre a violência, a insegurança e tudo o que pode acontecer com uma moça inocente (cof, cof) sozinha na madrugada. Uma mulher na parada me dizia tudo isso enquanto esperávamos um sujeito suspeito se afastar. Eis que nisso, aparece um táxi e para na minha frente.

- Você fez sinal pra ele?
- Não.
- E vai entrar no carro assim mesmo?
- Ah, uma pessoa parada na beira da avenida a essa hora olhando na direção dele...
- Boa sorte então.

Ok. O boa sorte dela me deu arrepio.

O cara dá a partida, falo o endereço e o homem:

- É hoje o show do Victor e Leo?
- Hã? Não sei...
- E tava legal aquele dia?
- Que dia? (ai meu Deus, o cara é louco)

O sujeito vira pra trás e olha pra minha cara.

- Ahhh, não é você!!!
- Eu o quê?
- Não foi você que me chamou? Ai, desculpa, moça. Mas vou ter que voltar.

Deu ré. Voltou. E três moças emperequetadas vem em direção ao carro. Sim, fui devolvida pelo taxista. Humilhação!

Ele quer chamar outro pra mim, mas a mulher maravilha aqui diz que não precisa, que vai até a parada da esquina. (torcendo pra que a fulana no ponto de ônibus não tivesse visto a cena).
Chego na parada...cadê??? nenhum táxi. Nenhum!!

Mas tinha uma viatura com dois guardas (um deles charmosérrimo). Pois é justamente esse que me diz:
- O que você faz sozinha uma hora dessas na rua? É perigoso.
- Mas eu só dei dois passos. Vou pegar um táxi ali ó (vi uma filinha de táxis um pouco mais na frente, ufa!)

Atenção! Se você for a minha mãe, pare de ler por aqui!

Entro no táxi, falo o endereço... e lá vamos nós!

- Moço, não tem que ligar o taxímetro?
- Ham? hum, é (sic) eu não liguei (sic). Quanto que dá bandeira dois até lá?

Po, e eu é que sei???

Nessa hora um bafo de cachaça invade o carro. O sujeito enrola a língua... era tudo o que eu precisava: um taxista bêbado!

Ele atende o celular, dirige com uma mão só, faz zigue-zague e fala igualzinho ao Tom Cavalcanti fazendo o João Canabrava, sabe?

Fiquei com o cu coração na mão.

Mas o que seria pior: ir com um motorista bêbado ou dizer “parem o mundo que eu quero descer?” Bom, ficar sozinha na rua quase uma da manhã num lugar desconhecido não me pareceu uma boa ideia. Segura na mão de Deus...e vai.

Óbvio que ele não achava o tal bar. Óbvio que demos volta a mais pra prolongar a tortura. E, claro, óbvio que eu quis ir correndo pra festa pra esquecer tudo isso.


Bom, mas se eu tô aqui contando é porque tudo acabou bem. Já tô pronta pra outra! Digo, outra festa... mas da próxima vez, saio de casa as seis da tarde... e de metrô! ;-)