1 de jul. de 2011
O segredo dos compositores
Uma vez perguntei a um conhecido se uma música dele era algo que tinha vivido. Fala em desencontros, desejos reprimidos e a vontade de chegar ao bom e velho final feliz. Sinceramente, eu esperava um 'sim' de resposta. Mas, para minha surpresa, ele disse que não é bem assim. Que a música vem. Assim. Ela só vem. Entendi, mas não deixei de acreditar que, sim, tinha a marca dele ali.
Outra vez um amigo, músico e compositor, disse acreditar ser algo espiritual. Que ele compunha e quando via o resultado pensava em como tinha feito algo tão lindo. Não é falta de modestia, ele faz músicas de arrepiar de tão lindas. De novo, que a música vem. Mas, tinha, sim, algo de real ali. Tinha, sim, um quê de verdade misturado com uma dose de exagero que forma a receita certa pra fazer chorar. Todo mundo já amou. Todo mundo já sofreu. E se ainda não cicatrizou, meu bem, você vai chorar.
Mas a cereja do bolo (com o perdão do clichê) veio esta semana com uma entrevista que fiz no trabalho. Há dias ouvi uma música que me marcou muito. "Ainda é tudo seu". Ouvi trabalhando, em casa, antes de dormir... O estranho é que pensei em várias pessoas e amores. "Ainda tenho tanta coisa pra te dizer e saber". "Eu volto pra te buscar". E pensei em mim."Segredos moram comigo, eu gosto de contar pro céu". Então eu encontrei a Luiza Possi, compositora e intérprete da música. E fiz a pergunta de sempre - com o pretexto que é para a matéria (e também é), mas mais para matar a minha velha curiosidade, 'aquela de outros anos'.
Ela disse que não é sobre uma pessoa apenas, mas várias. Quem ouve pode jurar que é para um amor. Mas é uma combinação de experiências em estrofes que se aplicam a vários personagens de sua vida e a si mesma. E eu sorri. Em pensamento. Me pego fazendo isso em textos jamais publicados. Crio histórias que misturam realidade e fantasia e penso em que interpretação - talvez ainda mais fantasiosa - o leitor poderá criar. Misturo amores, vontades e saudades.
Cheguei à conclusão que cada texto tem o íntimo do autor - muito mais que uma simples eleição de palavras -, a expressão de seus sentimentos. E isso se mistura com uma fantasia não vivida para dar o tcham da coisa. Talvez o que quisesse viver, mesmo que inconscientemente, ou o que imagina que os outros vivam.
Não posso falar por todos os escritores. Mas posso por mim. Não me leve tão à sério. Pode ser só invenção, fantasia. Pode ser a mais pura realidade. Ou pode ser uma intencional combinação dos dois. E o mais provável... é que assim será.
"Segredos moram comigo, eu gosto de contar pro céu. A vida inteira é muito pouco só pra começar desvendar..."
13 de jun. de 2011
O ceguinho do ônibus
Eis que um CEGUINHO pede ajuda:
- Você me avisa quando vier o São Savério?
- São Savério? Hummm... é um ônibus verde?
¬¬
10 de jun. de 2011
O homem que mandava corações
Uma vez conheci um homem que me mandava corações. E aquilo era tão lindo. Uau! Um homem que manda corações. E sabia elogiar de um jeito que jogava o ego lá no céu. E eu deixava lá, o ego, lá em cima. E me sentia mais gostosa que a Juliana Paes. Não que ele já tivesse comido a Juliana Paes. Não importa. Porque ele mandava corações.
E se eu chegasse em casa daquele jeito em que só o que você quer é agarrar uma lata de leite moça, o homem que mandava corações aparecia. E tudo parecia absurdamente ridículo perto da taquicardia que me dava qualquer vírgula que viesse dele. Nem o cliente mala enchendo o saco, o jeans que não fecha mais, ou as contas do mês por fazer. Tudo muito ridículo quando se tem um homem que manda corações.
Ele não era lindo, nem magro, nenhuma semelhança com o Ashton Kutcher - a não ser a distância que os dois estavam de mim - mas tinha um beijo de fazer arrepiar até os pelos que já se foram.
De vez em quando sumia. Aparecia. Sumia de novo. E voltava falando em saudade. Numa dessas idas conheci outro sujeito. Ele era uma gracinha. Mas não mandava corações.
E voltava. E ia de novo. Então é assim? Desaparece e chega, manda um coração e está servido?
Eu não seria mulherzinha se não imaginasse mil interpretações pro homem que mandava corações. ‘Um coração porque eu gosto de você, sua linda’. ‘Pega um coração aí e não me enche o saco, porra’. E o coração, que antes me fazia suspirar, passou da interrogação, à angústia e raiva. Proibi até a minha mãe de me mandar o dito cujo.
E então apareceu outro sujeito. Ele era uma gracinha. E, yes!, não me mandava corações.
Estou de volta pra você! Se você me aceitar... ♪
Eu sei, eu sei... já falei isso antes.
Voltei.
Vem, volte também!
Me faz companhia :)
5 de ago. de 2010
Coisas que minha mãe não deve ler
Chapinha daqui, blush dali... desci pra pegar um táxi.
Daí que moro em plena Paulista, que é um
Como em toda cidade grande que se preze, tem sempre alguém pra te alertar sobre a violência, a insegurança e tudo o que pode acontecer com uma moça inocente (cof, cof) sozinha na madrugada. Uma mulher na parada me dizia tudo isso enquanto esperávamos um sujeito suspeito se afastar. Eis que nisso, aparece um táxi e para na minha frente.
- Você fez sinal pra ele?
- Não.
- E vai entrar no carro assim mesmo?
- Ah, uma pessoa parada na beira da avenida a essa hora olhando na direção dele...
- Boa sorte então.
Ok. O boa sorte dela me deu arrepio.
O cara dá a partida, falo o endereço e o homem:
- É hoje o show do Victor e Leo?
- Hã? Não sei...
- E tava legal aquele dia?
- Que dia? (ai meu Deus, o cara é louco)
O sujeito vira pra trás e olha pra minha cara.
- Ahhh, não é você!!!
- Eu o quê?
- Não foi você que me chamou? Ai, desculpa, moça. Mas vou ter que voltar.
Deu ré. Voltou. E três moças emperequetadas vem em direção ao carro. Sim, fui devolvida pelo taxista. Humilhação!
Ele quer chamar outro pra mim, mas a mulher maravilha aqui diz que não precisa, que vai até a parada da esquina. (torcendo pra que a fulana no ponto de ônibus não tivesse visto a cena).
Chego na parada...cadê??? nenhum táxi. Nenhum!!
Mas tinha uma viatura com dois guardas (um deles charmosérrimo). Pois é justamente esse que me diz:
- O que você faz sozinha uma hora dessas na rua? É perigoso.
- Mas eu só dei dois passos. Vou pegar um táxi ali ó (vi uma filinha de táxis um pouco mais na frente, ufa!)
Atenção! Se você for a minha mãe, pare de ler por aqui!
Entro no táxi, falo o endereço... e lá vamos nós!
- Moço, não tem que ligar o taxímetro?
- Ham? hum, é (sic) eu não liguei (sic). Quanto que dá bandeira dois até lá?
Po, e eu é que sei???
Nessa hora um bafo de cachaça invade o carro. O sujeito enrola a língua... era tudo o que eu precisava: um taxista bêbado!
Ele atende o celular, dirige com uma mão só, faz zigue-zague e fala igualzinho ao Tom Cavalcanti fazendo o João Canabrava, sabe?
Fiquei com o
Mas o que seria pior: ir com um motorista bêbado ou dizer “parem o mundo que eu quero descer?” Bom, ficar sozinha na rua quase uma da manhã num lugar desconhecido não me pareceu uma boa ideia. Segura na mão de Deus...e vai.
Óbvio que ele não achava o tal bar. Óbvio que demos volta a mais pra prolongar a tortura. E, claro, óbvio que eu quis ir correndo pra festa pra esquecer tudo isso.
Bom, mas se eu tô aqui contando é porque tudo acabou bem. Já tô pronta pra outra! Digo, outra festa... mas da próxima vez, saio de casa as seis da tarde... e de metrô! ;-)